Diário da 42ª Mostra (Parte 2)

Continuando a série de posts sobre a Mostra, o de hoje é um pouco estranho. Falarei de filmes muito diferentes e que me causaram as mais diversas reações.

Começando com A casa que Jack construiu do Sr. Lars von Trier. Eu sempre gostei muito dele e desde Anticristo eu vejo todos os filmes dele no cinema. Claro que o acho um babaca, reviro os olhos pra cada idiotice que ele fala, mas sempre apreciei muito seus filmes, principalmente Melancolia que eu acho lindíssimo. Não concordo com essa coisa de dizerem que ele é misógino, que ele faz suas personagens sofrerem demais. Claro que a treta com a Björk é um caso a parte, pelo que sei, ele foi escrotíssimo com ela para além da personagem.

Mas enfim, toda a minha admiração acabou com A casa que Jack construiu. Eu estava com saudades de ver Matt Dillon em algum papel de destaque, mas não aqui. O filme se propõe a ser grandioso, mostrar estágios da vida de um serial killer. Trier sempre foi bom em criar tensão em seus filmes, aqui achei muito forçado. E uma coisa que me incomodou demais foi a audiência. As pessoas da minha sessão gargalhavam como se estivessem vendo a comédia mais engraçada do mundo. E eu ali, tensa, desconfortável e irritada.

Muitos diretores fazem filmes sobre si mesmos, e eu não vejo problema algum nisso. Mas aqui é enfadonho. Ele tenta ser irônico, tenta fazer críticas a si mesmo e à sociedade, e nada ali me convenceu. Sempre defendi Trier, mas agora não dá mais.

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No dia seguinte voltei ao cinema, mas para ver aquele que talvez seja meu filme preferido de toda a Mostra: Poderia me perdoar?. Dirigido pela incrível Marielle Heller (do lindo O Diário de uma Adolescente) e com roteiro da igualmente incrível Nicole Holofcener, o filme conta a história de Lee Israel (interpretado pela Melissa McCarthy, que está irreconhecível), uma escritora mau humorada, pouco simpática e falida.

Israel está sem grana e precisa cuidar de sua gata que está doente. Ela resolve vender uma carta assinada que possui de uma celebridade. Ela tirou uma grana bacana. E foi além: por que não inventar e falsificar cartas de outras celebridades? E é basicamente esse o enredo do filme. Lee é uma personagem detestável, mas apaixonante. Sua relação com o amigo Jack é um dos pontos altos do filme.

O filme todo se passa nos anos 90 (melhor década!) nos Estados Unidos, tem livros, tem gatos. Acompanhamos essa sua trajetória de falsificações, ficamos aflitos, com medo que ela seja pega. Torcemos para que dê tudo certo. É uma biografia bastante redondinha, mas muito agradável de se assistir.

capa

E para fechar, um filme mediano: Vida Selvagem. Eu estava mais do que ansiosa para saber como Paul Dano tinha se saído na sua estreia na direção. Sou fã dele desde que o vi em Pequena Miss Sunshine, então tinha expectativas altas. Não é um filme péssimo, pensando que é seu primeiro trabalho eu consigo destacar coisas boas.

A começar pelo elenco: Jake Gyllenhaal e Carey Mulligan, dois atores que eu gosto muito. Eles são um casal, Jerry e Jeanette que vive numa cidadezinha pequena nos Estados Unidos, junto com o filho Joe. Jerry perde o emprego, e naquela coisa de provedor da casa, não aceita muito bem a ideia de Jeanette voltar a trabalhar.

Está acontecendo um grande incêndio na floresta próxima à cidade, e Jerry aceita o um emprego para tentar conter o fogo.  Ele se afasta da família por um tempo. Jeanette fica com o filho e vemos a sua infelicidade de forma mais clara. Visualmente, é um lindo filme. Dano tem um ótimo olho para a direção. O problema é o ritmo, é um filme arrastado, e não consegui me envolver com os personagens.

Mas como disse ali no começo, é o primeiro trabalho de direção do Paul Dano. Acho que ele com o tempo veremos trabalhos melhores dele.

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Como comentei no meu post anterior, eu e a Isabel gravamos um podcast especial sobre a Mostra. Você pode conferir aqui.

Logo mais posto a terceira e última parte dessa série. 🙂

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