And like the cat I have nine times to die

Eu amo gatos há 22 anos. Era maio de 1996, tarde da noite, eu estava vendo filme com a minha mãe na sala de casa. Ouvimos um miado bem baixinho vindo da garagem. Era uma gatinha magra, de três cores, uma cabeça enorme e olhos esbugalhados. Ela iria apenas passar a noite e ser doada no dia seguinte. Ela viveu por 21 anos comigo, até que faleceu em junho do ano passado. Desde aquela noite de 1996 eu amo gatos. Hoje tenho duas gatas, Stella e Sophia, e um N tatuado na perna. Não como carne há mais de 12 anos, animais são minha grande paixão, então é meio óbvio que eu veja/leia muita coisa relacionada a eles.

Bukowski foi meu escritor preferido por anos. Não é o tema desse post, mas não consigo mais olhar para a obra dele com os mesmos olhos (ainda bem). Um dos motivos de eu mais gostar de seus livros era o amor dele por gatos. Ano passado a L&PM lançou o Sobre Gatos dele, que ainda não consegui ler. Também ano passado ganhei um livro com mesmo título, só que da Doris Lessing.

Há alguns anos os livros sobre gatos estavam meio que na moda. Li todos: Amor em Minúscula, Dewey, Um gato de rua chamado Bob. E tem um documentário sensacional chamado Kedi, sobre os gatos que vivem nas ruas de Istambul. Gosto bastante de ver os gatos como sucesso comercial.

Falando em filmes, Agnès Varda é minha diretora preferida. E ela ama gatos, sempre os coloca em seus filmes. Inclusive, ela fez um curtinha chamado Hommage à Zgougou, que é literalmente uma homenagem à sua gata. Quando eu achei que não dava para amar mais essa mulher!

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Agnès Varda

E os filmes de terror com gatos? São tantos que não consigo escolher meu preferido, mas O Cemitério Maldito (nós do Feito por Elas falamos dele aqui) e as adaptações para O Gato Preto do Poe são maravilhosos. E ah, tem uma preciosidade chamada The Cat from Outer Space e eu recomendo dar uma olhada no trailer.

Um dos meus filmes nacionais preferidos é Nise: O Coração da Loucura, sobre a psiquiatra brasileira Nise da Silveira que tratava seus pacientes com arte, ao invés dos costumeiros eletrochoques. No filme temos um pouco do amor de Nise pelos gatos, mas ela também publicou um livro chamado Gatos, a emoção de lidar.

Meu TCC foi sobre On the Road do Kerouac. Coloquei uma foto dele com um gato no colo. No artigo da pós sobre Bukowski, a mesma coisa. Sou viciada em fotos de escritores com gatos. Dia desses estava lendo sobre Frank O’Hara, tinha foto dele com gato. Minha amada Adília Lopes tem foto com gato. Idem para Carmen da Silva.

Uma vez estava numa livraria e vi Os Gatos da Patricia Highsmith. Conhecia pouco da autora, mas um livro sobre gatos não precisa de muito para me fazer levá-lo. Depois comprei seu O Livro das Feras, cheio de contos narrados por animais que se revoltam contra os humanos.

Essa é mais ou menos a premissa de Só os animais salvam, da Ceridwen Dovey, publicado aqui pela Darkside. O livro é triste: todos os contos começam com a data em que os animais em questão morrem. De certa forma isso é bom, pois já li preparada, ao contrário de Relatos de um Gato Viajante  de Hiro Arikawa, que eu li com o coração na mão.

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Mas voltando ao livro da Dovey, como sempre, a Darkside capricha das capas e essa é uma das que mais gostei. A arte combina com o conteúdo, a revisão está bacana, só achei uma divergência quanto à data de falecimento da Sylvia Plath. Falando nela, um dos contos é narrado por um golfinho, que está escrevendo uma carta para ela. Plath é uma das minhas escritoras preferidas e recentemente tatuei no braço o gato que ela desenhou.

Outro conto trata de outra escritora que amo, Virginia Woolf. Uma tartaruga vive numa propriedade vizinha à da família Tolstói. Ela passa a viver com a filha do escritor e durante a guerra é enviada para Londres, justamente para a casa de Virginia. Bacana lembrar que ela escreveu o livro Flush, que é narrado por um cachorro. Aliás, para quem tem dificuldades com a escrita dela recomendo este livro, que é bastante acessível.

O conto “Alma de Chimpanzé” me lembrou muito A Ilha do Dr. Moreau e essa coisa do homem mudar leis da natureza. Já “Alma de Urso” me fez pensar na questões dos zoológicos durante guerras. Quem cuida dos animais numa situação dessas? Como eles são alimentados se as pessoas passam fome?

Acho que não precisa ser uma pessoa apaixonada por gatos para gostar de Só os animais salvam. No começo de cada conto eu sentia certa dificuldade de engrenar, mas lá pela metade eu não queria que acabassem nunca. A escrita de Ceridwen Dovey é muito boa, até mesmo quando ela está narrando cenas pesadas. Com certeza esta é uma das minhas melhores leituras de 2018.

natasha
Eu com 11 anos, a Natasha com 2
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